Entre outras…

Entre outras pessoas, entre outros momentos, entre outras histórias, entre outras coisas sempre há alguma coisa a mais, algum ponto escondido, algum olhar enrustido, uma vírgula fora do lugar ou um tê sem cortar…

De cara nova…

26 de março de 2009

Olá pessoas,

O Entre outras mudou para

http://anaclaraotoni.blogspot.com/

Conto com vocês na divulgação do novo endereço e nos comentários! O novo blog ainda não está completamente pronto, leiam o último post e saberão o porquê.

Esclarecimento aos comentários:

Fiz as malas sim e mudei de endereço…(rsrsrs).

Previsões de um não-futuro próximo

25 de janeiro de 2009

Se nada mais der certo pego as minhas coisas jogo numa mala bem grande e arranco o carro. Se nada mais der certo saio por aí pisando nas flores amarelas caídas na rua enquanto finjo que não vejo os olhares do outro lado da rua. Se nada mais der certo compro uma Coca simples, bem gelada e bato papo com a garçonete. Se bobear ainda a chamo pra dar um rolé e compro-lhe um cartão colorido. Se nada mais der certo procuro um cachorro e vivo com ele pra sempre debaixo de uma ponte isolada. Quando a comida faltar pra mim e pra ele vendo o cão para o próximo que quiser. Com o dinheiro alugo uma fantasia de Carmem Miranda e pulo o Carnaval. Se nada mais der certo vou atrás da menina que vende bijouterias e peço um emprego. Vendo todos os anéis, brincos e colares para as tias da igreja, aquelas que sempre me acharam “uma graça”. Aproveito e dou um trago no vinho do padre, mordo o pão e babo no pano da mesa. Se nada mais der certo componho uma música para aquele cara que gostei, quando a ela estourar digo a ele que nunca prestei mas que o amei de verdade. Se nada mais der certo ligo a TV e finjo que apresento qualquer programa ao lado do Adnet. Mesmo se ele não gostar do meu senso de humor sei que farei um bocado de gente sorrir da minha cara ridícula na tela. Se nada mais der certo vou saber que não devia nunca ter emprestado aquele livro pro filho da professora de Biologia. Nunca fui com a cara dela. Nem dele. Se nada mais der certo escrevo um poema e mando pra toda a minha lista. Como ninguém me responderá nunca saberei se leram ou pensaram que era spam. Se nada mais der certo visito um médico pra saber se aquela mancha era de nascença ou alguma bactéria que peguei na piscina do clube. Se nada mais der certo ouço Andreas com Hermanos pensando em Manu e ainda choro recordando Chico. Se nada mais der certo vou ao teatro e fico na câmara mais central. Pago caro com o dinheiro que ganhei na venda do cachorro (pois, na verdade, penchinchei a fantasia e o rapaz da loja me deu de presente a saia, os colares e a cesta de frutas da cabeça. Minha prima me arrumou a blusa e desfilei por uns 5 conto). Se nada mais der certo vou-me embora de ônibus e bato naquele pirralho que ficar me olhando com cara de sapeca. Chuto suas perninhas e ainda pergunto pra mãe o que é que está olhando. Se nada mais der certo bato na porta daquele amigo e negocio uma xícara de café por um antigo retrato. Se nada mais der certo desisto da vida e tiro os sapatos.

Encerrado

22 de janeiro de 2009

Enganei-me da cabeça aos pés, até a ponta do último fio de cabelo. Não sei como se faz essa contagem de fios de cabelo, mas ainda assim sei que o último foi enganado também. Achei que algumas coisas fossem como o vinho, talvez algumas realmente sejam. Mas aquela história não era assim. Não foi assim. O engraçado foi perceber que para o amor e para o (des)amor apenas um gesto basta. Não precisou que me dissesse nada, e foi exatamente este silêncio que me levou para um lugar reto, contínuo e frio: a verdade. O calhorda de sempre se mostrou e eu não precisei ouvir de ninguém. Ele estava ali parado. Parado. Parado. Como sempre esteve. Brincando e sorrindo das minhas fantasias. Mentindo e envolvendo-se em minhas vontades. Cada palavra perdeu o sentido ou sou eu quem já não suporto mais ouvir qualquer coisa? Me cansei das graças e cortejos baratos. Dos assuntos óbvios, dos olhares intereisseiros, das mensagens cheias de juras paraguaias. A minha aversão é gigante. Tenho medo de parar de conversar ou então, quem sabe me reunir somente com os amigos de muita idade, de uma outra amiga minha. Ou ainda só ouví-los, rascunhar um sorriso e soltar “humruns” esporadicamente. Não cansei porém, a ponto de parar. Cansei-me até uma sensação terna tomar meu corpo. O alívio do ponto final bastou. Posso tocar a vida sem fantasiar ou idealizar paixões. O arrependimento talvez tenha sido o não-banho matutino que talvez, lavaria meu corpo, meus cabelos e minha alma de toda a sua hipocrisia. 

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A posição

7 de janeiro de 2009

De pernas pro ar é a única posição que me atrai no momento. Exatamente por estar de férias e não poder estar assim “de pernas pro ar”. Aliás, a minha vida pode-se de dizer que estava assim, mas agora está chegando nos eixos. Eu poderia dizer entrando nos trilhos, mas não quero moldes e, trilhos seria um tipo de modelo a ser seguido no já traçado caminho. E outra, nunca andei de trem. Metrô já, toda segunda, inclusive. Mas trem, trem mesmo, não. Um dia ainda faço uma viagem…nem que seja pra Governador Valadares. Voltemos a minha vida…estou cheia de coisas, atividades, trabalho, estágio, roupas sujas, unhas por fazer e cansaço! Dormir tornou-se uma dolorosa aventura: o tempo é pouco, o colchão não ajuda e, por recomendações médicas, durmo sem travesseiro. Resultado: acordo as seis da matina com uma coluna clamando por pena e as costas implorando por uma massagem. Por isso que ficar de pernas pro ar, ou pra cima, ou sem fazer nada, ou de bobeira…ou sei lá o que mais essa expressão possa significar pra vocês, era tudo o que eu mais queria. Não estou reclamando, longe de mim. Estou adorando esse novo ritmo, esse corre-corre, enfim todas essas delícias estressantes que só quem vive assim, sabe como é bom desfrutá-las!

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De todas as maneiras

6 de janeiro de 2009

O primeiro post do ano não virá cheio de expectativas, esperanças e balanços. Não virá com sede de suco de laranja gelado, nem com fome de macarrão. Ele simplesmente virá com aquilo que tenho e com o pouco que sobrou de mim. Com o que me tornei e com a vontade de ser. Detesto clichês de “Ano Novo, vida nova” e não quero que ninguém me deseje amor. Álias, ninguém me desejou. É irônico, e seria até engraçado se não fosse trágico, e se não fosse clichê. E então? Isso quer dizer alguma coisa também, né? Talvez sim, talvez não. Talvez signifique que eu deveria ter rompido o silêncio e passado pelo orgulho e me entregado a fúria dos meus dedos e ter escrito uma mensagem. Talvez, mas não queremos interpretações, nem simbologias…queremos apenas viver, planejar futuros e selecionar aquilo que foi bom das nossas experiências, não é? Acho que sim… mas como posso pensar e dizer o que “querEMOS”. Posso dizer por mim, posso dizer sobre as coisas que eu quero. Afinal, agora sou só eu mesma com meu cozido na geladeira e uma porta capenga no quarto. 
A carência vem e volta como uma brisa leve e fria. Acho que enquanto não passarem as chuvas o meu coração não vai cicatrizar das marcas que suas unhas deixaram, só espero que a temporada de seca não seja tão cruel e não me torne insensível a ponto de não me apressar e sentir o coração desandando a bater desvairado, afinal, já é verão.

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