Entre outras…

Entre outras pessoas, entre outros momentos, entre outras histórias, entre outras coisas sempre há alguma coisa a mais, algum ponto escondido, algum olhar enrustido, uma vírgula fora do lugar ou um tê sem cortar…

Não tô pra ninguém

19 de fevereiro de 2008

Hoje eu não acordei pra ninguém. Não acordei pro mundo. Nem eu nem o sol. Todos os dias eu me levanto assustada com o despertador, salto da cama (literalmente) e corro pra tomar banho. Mas, todos os dias olho pela janela e vejo sol nascendo sobre as montanhas lá longe…É tão bonito me dar conta de que, realmente, estou em Belo Horizonte. E então, eu me relaxo, espreguiço o corpo todo, ainda nua, e sinto o sol. Porém, hoje eu acordei sem saco nenhum pra bom dia, como vai, e tudo bem. Sem saco nenhum pra conversas matinais na hora do café, ou para brincar dentro do elevador. Simplesmente acordei amarga e com uma irritação enorme de tudo. De qualquer um. De todo mundo. Não queria estar nem pra mim. Tô tão cansada de injustiças, inverdades e, principalmente, da acomodação das pessoas. Hoje eu queria quebrar a cara de cada um que encontrasse pela frente, dar um soco no mundo.

Até o fim do mundo

16 de fevereiro de 2008

Agora eu já não sei. Para onde foram todas aquelas certezas?Pra onde foram as coisas eternas?Coisas eternas.Irônia.Não quero pensar se foi remorso, culpa, insegurança ou paixão o que senti quando aquele telefone tocou. A voz do outro lado falando um "alô" ansioso, um "alô" de quem espera, de quem espera uma resposta, um oi, um sim. Meu coração saltava pela boca, e agora? Minha boca ficou seca e minha respiração ofegante. Um calor enorme percorreu minha nuca, e eu percebi que suava. Meu Deus, e agora? Eu sentia um vontade inconcebível de chorar, de chorar a vida inteira. De apertar o travessar o travesseiro e morrer ali. Morrer pra mim, morrer pro mundo. As músicas não ajudavam nada, os comentários, menos ainda. Encontrar Alguém? A Sua? Beija eu? Ohh, meu Deus, eu queria sumir daquele lugar, queria apagar a minha existência na vida de cada um. Voltar e viver uma única coisa. Alguma coisa que não esperasse, que não prometesse. Não quero uma linda história de amor, não quero um buquê todos os dias, não quero. Quero sofrer. Só pode ser isso. Sofrer, chorar, morrer. Devo ter nascido pra isso, talvez meu ascendente explique tudo. Alguém? Eu não quero carinho, beijinhos e abraços. Não quero o corpo de ninguém sobre o meu. Não quero sentir nojo. Não quero fechar os olhos e enchergar alguém do outro lado. Não quero presentes. Não quero atenção. Não quero romance. Não quero música. Quero choro, não quero gozo. Não quero sentir meu coração bater forte de felicidade. Não quero os músculos do meu rosto se esforçando pra sorrir. Quero momentos. Curtos. Poucos. Frios. Quero sentir que não há ninguém em mim. Não quero cheiro em minha pele. Quero acordar nua. Quero me ver nua. Quero morrer nua. Quero a pureza de antes. Quero a maldade de sempre. Quero que tudo se exploda. Quero quebrar a cara de alguém. Quero brigar com todo mundo. Quero me bater, me arranhar. E agora? Enlouqueci? Dramatizei tudo? Quero beber, me drogar, me matar. Quero vomitar na sua cara todo o seu desprezo. Quero sentir tudo. Quero adormecer. Quero abraçar meu travesseiro e chorar até o fim do mundo.

Sem sacos nem sacolas

8 de fevereiro de 2008

                                      

Eu sempre acho que faço xixi mais rápido do que todas as mulheres do mundo, quando estou na fila. É engraçado, e já até rendeu assunto naquelas filas quilométricas de banheiro. Mas eu sempre vou achar que certas coisas comigo são diferentes. Todo mundo reclama por ter aquela tia que sempre dá pijama de presente no aniversário. Pois é, eu não tenho uma tia assim e só percebi isso depois de analisar as condições lastimáveis dos meus pijamas.Eu acho lindo quem lê dentro do ônibus aqueles livros grossos com as páginas amarelas - aquelas amarelas mesmo novinhas, sem ser de livros velhos. Eu sempre acho que todo mundo devia dar bom-dia, boa-tarde e boa-noite para o motorista e trocador do ônibus. E carregar as sacolas e bolsas das pessoas que ficam em pé. Poxa!Ninguém faz isso comigo, é tão raro. E não é pagando uma de cidadã com consciência coletiva não. É a verdade, é educação. É humano. Eu sempre acho as pessoas vão olhar pro meu pé - e como eu detesto o meu pé acima de todas as coisas do mundo- eu odeio isso e sempre procuro escondê-lo atrás do ferro do ônibus, dentro de um sapato fechado ou com a bolsa por cima. Eu sempre acho que todo mundo quando corta o cabelo fica pelo menos perceptível. Mas comigo? Comigo ninguém nunca nota, tá certo que, na maioria das vezes, eu corto tipo uns 3 cm e fico rezando para que o cabeleireiro não ultrapasse as medidas. Mas é sério, as pessoas aparecem com cortes lindos, repicados, desfiados, armados, coalhados e sempre fica bonito. Sobre essas dicas fashions e glams eu também sempre esqueço qual é o esmalte branco, que não é renda, que a gente passa e não fica amarelado com o tempo. Eu sempre acho que os costumes gastronômicos das pessoas são estranhos e os meus normaiszérrimos! Tipo comer…ahh sei lá, agora não me lembro de nada que eu coma e que as pessoas estranho. Eu sempre tenho dor na perna quando estou ansiosa, nervosa, triste, depressiva, na TPM, deprimida, explosiva, entre outras. Eu sempre quero um remédio pra dor, e tipo que só serve Anador. Eu sempre acho que eu sou a única pessoa que lembra de tratar os aniversariantes bem, muito bem. Porque eu sempre acho que aniversário da gente é o dia mais importante do mundo. Eu sempre escrevo os meus textos primeiro no gmail, pra já ficar salvo nos rascunhos. Eu sempre acho que eu sou a única pessoa do mundo que não entende nada de música e cinema. Eu sempre acho que eu não vou ser aquilo tudo que eu queria ser quando crescer. Eu sempre acho que as pessoas vão pensar mil coisas de mim quando eu abro a boca na sala de aula, afinal, sempre foi assim mesmo. Eu sempre acho que as pessoas vão ridicularizar as coisas que escrevo. E sempre, sempre vou achar que ainda ficou faltando alguma coisa.

P.S.I.U: O crédito da foto é da Clara Novais

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