Entre outras…

Entre outras pessoas, entre outros momentos, entre outras histórias, entre outras coisas sempre há alguma coisa a mais, algum ponto escondido, algum olhar enrustido, uma vírgula fora do lugar ou um tê sem cortar…

Ao meu amigo Pedro

30 de maio de 2008

          Eu poderia dizer mil coisas que ainda seriam vãs. Eu poderia discorrer um texto imenso falando de amizade e companheirismo. Eu poderia dizer apenas que amo muito esse amigo. Mas, não. Ele sabe muito bem do quanto o quero bem e das coisas que já passamos juntos.
          É claro que ele se lembra daquele escorregão que levei lavando uma lona para o Halloween. Ele foi o primeiro a rir, mas ainda assim o primeiro a se preocupar. Ele que nunca se importou de eu tanto zuar a aquela mochila velha da Company, que ele tinha desde a 3ª série. Ele lembra de eu chegando na aula com meus óculos de gatinha, achando que ia arrasar! Ele lembra tanto..que as vezes me diz “ nossa você era tão metida”…
         Quantas vezes passei na casa dele só para pedir um copinho d’agua depois da caminhada? Tá certo, umas duas no máximo mas a gente se recorda muito bem dessas visitas. Ele entende quando eu quero dizer algo, ou quando quero apenas fazer graça. Ou ainda quando quero chorar, quando faço aquele drama…
         Ele entende que eu páro no meio da conversa e digo “daí ele falou assim…”. Ele sabe que eu detesto ser acordada pela campainha do telefone. Acho que é exatamente por isso que ele me liga de vez em sempre lá pelas quatro da madrugada. Mas, tudo bem! Ele é o meu amigo Pedro. Que já cuidou de mim doente, bêbada e triste. Que já dançou quadrilha comigo e me fez rir muito de tão desengonçado que é! Aliás, ele com certeza deve se lembrar da gente tentando dançar forró mesmo sem nenhum dos dois saber nada!
        É o meu amigo Pedro que vive comigo sempre no peito. É o meu amigo Pedro que em sua humildade extrema me mata de raiva! É o meu amigo Pedro que de mais indeciso é quase meu irmão gêmeo. É o meu amigo Pedro que com tantas leis e normas na cabeça ainda tem tempo para ligar de bobeira pra mim. É o meu amigo que diz sempre que as coisas vai melhorar, ou ainda que só diz um “Eh”. Pior, quando ainda acrescenta um “Eh díficil”!
        É o meu amigo Pedro que sabe da minha aflição pra virar o colar do pescoço quando ele está virado. É o meu amigo Pedro que me mata de inveja quando vai pra praia de lentes enquanto eu morro de medo de entrar areia e opto pelo óculos ( mesmo me sentindo um E.T).
        É o meu amigo-irmão. É o meu eterno amigo Pedro. Dos clichês dos clichês eu poderia terminar esse texto dizendo que mesmo sem querer dizer muito, acabei o fazendo. Mas, vai entender essa amizade tão forte e compulsão com que os meus dedos batiam ao teclado…Só sei que esse texto é ao meu amigo Pedro.

Digerindo-me

23 de maio de 2008

As palavras iam se jogando em mim. Uma a uma, todas elas. Não me debati, nem ao menos o olhei. Estava longe, longe tanto que não estava ali. Pensava num outro tempo. Um tempo incerto. Pensava em todas as vezes que me disseram coisas sobre amor-próprio. Pensava na primeira coisa que fiz quando acreditei tê-lo, enfim. E então, de repente pensei que o orgulho bate em meu peito e endurece meu rosto pudesse ser exatamente o reflexo dessa busca. Por quanto tempo lutei saber o que era se amar? Por quanto tempo pensei em valorização e coisas do tipo. Entre tantos amores e abraços, nada. O que via agora, era alguém que de fato tinha apreço e afeto e que tentava proteger-me da luz, tentava proteger-me de tudo. Logo a mim, que acabara de dizer coisas tão duras. Preciso me desgarrar dessa petulância que carrego como filha. Preciso rasgar o orgulho e não perder o tal amor-próprio, para não perder de vez meu amor.

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