Entre outras…

Entre outras pessoas, entre outros momentos, entre outras histórias, entre outras coisas sempre há alguma coisa a mais, algum ponto escondido, algum olhar enrustido, uma vírgula fora do lugar ou um tê sem cortar…

Um par singular

13 de novembro de 2008

Eu queria te aceitar sem meias palavras. Aceitar suas roupas largadas, seu sorriso fechado, seu gosto de café. Queria aceitar seu corte de cabelo e a sua barba por fazer. Queria aceitar sua cabeça cheia de problemas, seus olhos cansados de tanto tentar. Olha você não compreende o esforço que eu faço para não bater o telefone na sua cara quando você diz aquelas gírias, bobagens. Olha você não sabe que eu não durmo com a luz acessa com medo do tempo passar e eu não dormir. Você precisa aceitar que eu durmo bem, que eu não penso como foi o dia. Eu vivo, eu vivo tão intensamente que consigo sorrir inexplicavelmente diferente de você. Eu queria aceitar que te amo, te engano, te quero. Eu queria aceitar você se agarrando nos meus cabelos, me cobrindo de carinhos e não ter impaciência. Eu queria aceitar seus beijos apaixonados, interrompidos por uma respiração ofegante que eu cismo em querer imitar. Olha eu sinto o meu pensamento longe, eu penso num futuro distante… Os pensamentos do hoje eu deixo pra lá, prefiro os planos de fim de ano e a escolha do vestido do baile. Prefiro sair sem destino e me entediar dentro de um carro à fazer uma reuniãozinha qualquer com pessoas que desconheço. Olha eu queria aceitar a gente, você e nós.

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Peso

10 de novembro de 2008

Parece que tem um peso, daqueles bem grande que já está fazendo as minhas costas doerem e tenho a impressão de que massagem nenhuma vai adiantar. É um peso que dói, se culpa, se isola, machuca. Um peso de medo, saudade e receio. Um peso que vai me consumindo e consumindo tudo… Pouco a pouco vai apagando o brilho das fotos, o sorriso ficando amarelo, sem graça, sumindo… A voz já não se alegra ao telefone, pessoalmente muito menos… Dói tanto, pesa. O cheiro da pele já não é mais o mesmo, ou talvez seja e eu é quem tenha parado de sentir. A cama está apertada, o travesseiro dobrado, a luz acessa e chuveiro não pára… As músicas que eu ouvia já não ouço mais, e a falta que eu sentia já não tenho mais. Aliás, tenho sim. Sinto falta do vento, das montanhas, das miragens. O vento não pesava tanto, as montanhas muito menos e as miragens eram um belo convite ao deleite.

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