Previsões de um não-futuro próximo
25 de janeiro de 2009
Se nada mais der certo pego as minhas coisas jogo numa mala bem grande e arranco o carro. Se nada mais der certo saio por aà pisando nas flores amarelas caÃdas na rua enquanto finjo que não vejo os olhares do outro lado da rua. Se nada mais der certo compro uma Coca simples, bem gelada e bato papo com a garçonete. Se bobear ainda a chamo pra dar um rolé e compro-lhe um cartão colorido. Se nada mais der certo procuro um cachorro e vivo com ele pra sempre debaixo de uma ponte isolada. Quando a comida faltar pra mim e pra ele vendo o cão para o próximo que quiser. Com o dinheiro alugo uma fantasia de Carmem Miranda e pulo o Carnaval. Se nada mais der certo vou atrás da menina que vende bijouterias e peço um emprego. Vendo todos os anéis, brincos e colares para as tias da igreja, aquelas que sempre me acharam “uma graça”. Aproveito e dou um trago no vinho do padre, mordo o pão e babo no pano da mesa. Se nada mais der certo componho uma música para aquele cara que gostei, quando a ela estourar digo a ele que nunca prestei mas que o amei de verdade. Se nada mais der certo ligo a TV e finjo que apresento qualquer programa ao lado do Adnet. Mesmo se ele não gostar do meu senso de humor sei que farei um bocado de gente sorrir da minha cara ridÃcula na tela. Se nada mais der certo vou saber que não devia nunca ter emprestado aquele livro pro filho da professora de Biologia. Nunca fui com a cara dela. Nem dele. Se nada mais der certo escrevo um poema e mando pra toda a minha lista. Como ninguém me responderá nunca saberei se leram ou pensaram que era spam. Se nada mais der certo visito um médico pra saber se aquela mancha era de nascença ou alguma bactéria que peguei na piscina do clube. Se nada mais der certo ouço Andreas com Hermanos pensando em Manu e ainda choro recordando Chico. Se nada mais der certo vou ao teatro e fico na câmara mais central. Pago caro com o dinheiro que ganhei na venda do cachorro (pois, na verdade, penchinchei a fantasia e o rapaz da loja me deu de presente a saia, os colares e a cesta de frutas da cabeça. Minha prima me arrumou a blusa e desfilei por uns 5 conto). Se nada mais der certo vou-me embora de ônibus e bato naquele pirralho que ficar me olhando com cara de sapeca. Chuto suas perninhas e ainda pergunto pra mãe o que é que está olhando. Se nada mais der certo bato na porta daquele amigo e negocio uma xÃcara de café por um antigo retrato. Se nada mais der certo desisto da vida e tiro os sapatos.


Comentário por Fernando — 26 de janeiro de 2009 (0:23)
Belo texto…
Mas depois que se veste de Carmem Miranda, acho complicado as coisas não darem certo. As possibilidades são inúmeras. Embala o carnaval em outros carnaval e vai atrás da verde-e-rosa. Quando cansar de sambar mesmo, aà sim, tira os sapatos.
Deu pra entender algo?
Comentário por fina flor — 14 de fevereiro de 2009 (0:13)
muito bons seus planos, adorei o de vender anéis para as tias da igreja, kkkk
beijos
MM.
>>> tudo vai dar pé, já cantava Gil
Comentário por Sigillum — 17 de fevereiro de 2009 (22:08)
Já pensou em publicar um segredo sem se revelar?
Conheça meu blog!
Beijos
Comentário por fina flor — 2 de março de 2009 (22:19)
pegou as malas, foi? rs*
beijos e boa semana
MM.
Comentário por Eliezio — 12 de março de 2009 (17:45)
e se tudo der certo, ponho meu SAPATO NOVO e vou passear sozinho como der eu vou ate a beira, besteira qualquer, nem choro mais, só levo saudade morena, é tudo que vale a pena.