23 de dezembro de 2008
Decifrar gestos e olhares reclusos, meias palavras, ironia no ar….não é somente um exercício semiótico. É mais, bem mais. É querer conhecer o outro, estar dentro dele, colada…Embrulhar-se não é o mesmo, é preciso entrar em seu corpo. O próximo amor não é assim um futuro amante, o futuro amante é mais amável, sonoro, cremoso. O próximo amor já tem gosto de medo e o cheiro do sofrer. Mas o amante, ahhh o amante…tem o quê de malícia, o charminho do cabelo, os olhares vacilantes e é repleto de momentos deliciosamente constrangedores.
13 de novembro de 2008
Eu queria te aceitar sem meias palavras. Aceitar suas roupas largadas, seu sorriso fechado, seu gosto de café. Queria aceitar seu corte de cabelo e a sua barba por fazer. Queria aceitar sua cabeça cheia de problemas, seus olhos cansados de tanto tentar. Olha você não compreende o esforço que eu faço para não bater o telefone na sua cara quando você diz aquelas gÃrias, bobagens. Olha você não sabe que eu não durmo com a luz acessa com medo do tempo passar e eu não dormir. Você precisa aceitar que eu durmo bem, que eu não penso como foi o dia. Eu vivo, eu vivo tão intensamente que consigo sorrir inexplicavelmente diferente de você. Eu queria aceitar que te amo, te engano, te quero. Eu queria aceitar você se agarrando nos meus cabelos, me cobrindo de carinhos e não ter impaciência. Eu queria aceitar seus beijos apaixonados, interrompidos por uma respiração ofegante que eu cismo em querer imitar. Olha eu sinto o meu pensamento longe, eu penso num futuro distante… Os pensamentos do hoje eu deixo pra lá, prefiro os planos de fim de ano e a escolha do vestido do baile. Prefiro sair sem destino e me entediar dentro de um carro à fazer uma reuniãozinha qualquer com pessoas que desconheço. Olha eu queria aceitar a gente, você e nós.
10 de novembro de 2008
Parece que tem um peso, daqueles bem grande que já está fazendo as minhas costas doerem e tenho a impressão de que massagem nenhuma vai adiantar. É um peso que dói, se culpa, se isola, machuca. Um peso de medo, saudade e receio. Um peso que vai me consumindo e consumindo tudo… Pouco a pouco vai apagando o brilho das fotos, o sorriso ficando amarelo, sem graça, sumindo… A voz já não se alegra ao telefone, pessoalmente muito menos… Dói tanto, pesa. O cheiro da pele já não é mais o mesmo, ou talvez seja e eu é quem tenha parado de sentir. A cama está apertada, o travesseiro dobrado, a luz acessa e chuveiro não pára… As músicas que eu ouvia já não ouço mais, e a falta que eu sentia já não tenho mais. Aliás, tenho sim. Sinto falta do vento, das montanhas, das miragens. O vento não pesava tanto, as montanhas muito menos e as miragens eram um belo convite ao deleite.
24 de outubro de 2008
De todas as coisas que ela pensou de manhã "não posso colocar blusa preta num dia de sol!", "definitivamente preciso fazer a sombracelha" o sonho da noite passada foi o que mais encucou. Poxa! Sonhar com ele tinha sido estranho, logo ela que não queria repetir os erros de novo… Ossos do ofício? Acho que não, devia ser carma mesmo. O que interessava mesmo é que a noite ela passaria uma borracha em muita coisa e poderia ser feliz novamente, ou não. Como cabelo que vai desarmando em dia de chuva a tromba d’aguá caiu mesmo pela manhã. Seu rosto estava inundado de lágrimas e ao mesmo tempo uma vontade imensa de possuir aquele ser em sua frente. Aiiii como era forte aquele desejo! E como ele a irritava! Não conseguiu e acabou revelando seu instinto mais humano, selvagem e sexual. Depois de ter se lambuzado inteira queria mais…e ele já não tanto. Ohhh…como és sentimental!!Discutir relacionamento antes do almoço e com um dia lindo lá fora, implorando por uma cerva gelada… Não, isso era demais. Nesse instante ela pensou nesse texto, pensou que as ondulações da pele dele pudessem dizer alguma coisa, sei lá, gritar uma solução, ou pelo menos levantar um cartazinho "Faz isso…" "Faça aquilo"…"Nãnãnã" Meu Deus! Ela estava delirando…e ainda quente, nua e chorando meio que sem saber o porquê, levantou-se. Colocou a roupa depressa, já havia perdido o ônibus, o homem e o amigo. O que lhe restava mais? A blusa preta num dia de sol.
7 de outubro de 2008
Decidido. Este blog terá a vida útil de um ano! Estou há séculos pensando em ir para outro provedor e enrolo sempre…mas não dá mais para ficar aqui. Não tenho opções! Poxa vida…não posso editar nada em html, não posso criar layouts novos…não posso fazer mil coisas por aqui. É por isso que decidi que em janeiro terei um novo blog, e vocês um novo blog para acessar. Espero que não me abandonem…e que comentem mais…
Já que este post ganhou esse tom de comunicados, vou aproveitar para divulgar o post de Jornalismo Online que estou fazendo em parceria com meu namorado. Espero que gostem (e comentem).